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sábado, 10 de dezembro de 2011

MEC quer propor currículo nacional

Currículo Nacional, um debate para o ano de 2012 

A base curricular atual do Brasil é definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), referendada por avaliações nacionais como a Provinha Brasil (aplicada no 2º ano do ensino fundamental) e a Prova Brasil (5º e 9º anos). O sistema educacional também conta com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e diretrizes curriculares. No entanto, o governo considera que há a necessidade de aprofundar essas diretrizes e atualizar as orientações. "Não vamos colocar o currículo numa forma - vamos discutir as bases", explica a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda. "Não é uma listagem de conteúdos - é um instrumento de organização da vida do professor e do aluno."
    Para Jaqueline Moll, diretora de currículos e educação integral do MEC, um dos pontos mais importantes da elaboração das expectativas de aprendizagem é dar conta das circunstâncias em que o ensino se dá. "Temos de pensar na escola contemporânea, nos seus desafios e em quais são os marcos do aprendizado das línguas, matemáticas e das áreas de conhecimento postas pela LDB", diz ela. "Exemplo: as novas diretrizes instituem o ciclo de alfabetização. Mas, ao concluí-lo, o que o estudante deve ter construído?" Segundo César Callegari, do Conselho Nacional de Educação (CNE), a necessidade de se estabelecer as expectativas decorre, entre outros fatores, do fato de as diretrizes em vigor serem muito abrangentes. "Elas apresentam conceitos, mas muito genéricos, insuficientes para definir currículos", explica ele, que considera os PCNs defasados. Já o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirma que a ideia não é formatar um currículo único. "O Brasil praticamente aboliu o currículo nos anos 90 e a Prova Brasil recuperou um pouco, pela via da avaliação, a ideia de organização curricular, que estava fragmentada com os parâmetros curriculares."
    A ideia do MEC é apresentar o texto-base até o fim deste mês. Será aberta então uma consulta pública no início do ano para então um grupo de trabalho definir as expectativas por áreas. No segundo semestre, está prevista uma nova consulta pública. Apenas em dezembro de 2012 o documento deve ficar pronto. O tema deve ser discutido com entidades como a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). (com Agência Estado/Mariana Mandelli).
   Intenção é debater o tema durante o ano de 2012!


Notícia publicada na edição de 07/12/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 012 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Fonte: http://manmessias21.blogspot.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Final XXIII FECEM 2011 - Andreá Campeã!!!

   Radiante de  alegria  que escrevo estas linhas.  Nosso trabalho foi coroado com mais esta conquista.  O reggae "Amor Passageiro" de nossa querida letrista Luana Silva (1901) e defendida pela nossa intérprete Larissa Silva (1901), empolgou a galera do Teatro Carlos Gomes.  
  Na cochia não escondíamos o nervosismo. Estava estampado em nossos rostos e em nossos corpos também: coração batendo acelerado, ansiedade, tremedeira nas mãos/pernas... Cada um, à sua maneira, dizia palavras de encorajamento, abraçavamo-nos tentando passar segurança. Não dava pra ficar parado!!! 
  Segundos antes de nossa chamada, convoquei a Banda para baixinho, como se fosse uma oração entoarmos nosso famoso grito de guerra (Guerreiros da Escola!). Disse também que fizemos tudo que foi preciso até aqui e que agora, era hora de se divertir e mostrar tudo que ensaiamos. 
     Frio geral em nossas barrigas quando ouvimos anunciar:
- E agora com vocês representando a 6ª CRE, Andréa Fontes Peixotoooooo!!
   Teatro Carlos Gomes veio abaixo com a nossa torcida que liderada pelos nosso fãs nº 1 (Dir. Érica, Profº Dimas, Profª Camila, Profª Cristiane e Profª Débora) não dava pra ficar parados!!! Tinhamos que gritar, dançar, extravasar a garra de nossa U.E.  Instrumentos em ordem e cada um no seu devido lugar, dei o sinal para começarmos.  Com  o toque firme no Violão Elétrico, Rafael Alves fez a introdução, com a levada característica do Reggae, seguido de Gabriel Emídio na Guitarra com seus solos maravilhosos. Após, usando suas baquetas mágicas, nosso baterista Gabriel Guimarães (1801) fez a virada enfatizando o ritmo eletrizante do Reggae. Era um misto de satisfação por estar ali no palco levando alegria e atenção redobrada para não errarmos nada.
    Nosso Backing Vocals formado pelos talentosos Alexandre Cruz, Mariana, Luana da Silva, Carolina Mendes e Thais Alves, geral da Turma (1901), quando começou a cantar e mostrar a coreografia, exerceu um fascínio quase que mandando um aviso nas entrelinhas aos demais concorrentes: 
- Ei, chegamos pra arrasar!
     E pra ratificar minhas palavras, nossa intérprete maravilhosa Larissa da Silva encantou a todos com sua doce e bela voz quando confessou: - O amor nasce num segundo, e apressado invade o nosso coração...!!!  Concordo com você Larissa, pois apressadamente nossa melodia invadiu os corações de todos que ali se fizeram presentes.  Não ficar parado foi inevitável !! Foi fantástico ver todos cantando e dançando conosco!! Eu e Profº Yuri ficamos radiantes, porque não dizer "babando" de ver nossos alunos arrasando com energia e elegância em cima do tablado.
      Ufa!! Fizemos tudo certinho. Agora é só esperar o resultado. Aplaudimos todos que foram premiados dentro das categorias à medida que eram anunciados.  Vibramos quando Larissa ganhou mais um troféu como "Melhor Comunicação com o Público".  Mas, ainda não estavamos satisfeitos.  De mãos dadas numa corrente de amor e fé, ansiosos aguardamos o anúnico da última  e mais importante categoria "Melhor Canção":
- E como melhor canção do XXIII Fecem -2011, a música "Amor Passageiro", EM. Andréa Fontes Peixotoooooooooooooooooo!!!!
        Precisa dizer que choramos, gritamos, pulamos de alegria e emoção por tamanho mérito?!! Mas, após este momento de tamanha euforia e felicidade, me encontro triste. Conforme o título da canção, foi passageiro.  Esta alegria passou rápido demais.  Mas, a propósito, para quem interessado for: ano que vem... estaremos aí!!! Valeu Guerreiros da Escolaaaaaaaaaaaa!!!

A Escola na Mídia

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Meu Filho, Você Não Merece Nada!


Por Eliane Brum
   Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações.
    Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
   Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
   Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
   Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
   Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
   É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
   Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
   Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
   Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
   A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
   Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
   Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
   Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
   Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
   O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
   Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
   Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significar dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
   Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
   Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

    Eliane Brum, Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). Escreve às 2ª feiras.