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sexta-feira, 2 de março de 2012

Páginas amarelas!

   Viajar a cada dia, enfrentar desafios e conhecer lugares inusitados e desconhecidos são formas de aprender e se divertir. Melhor ainda em um local aconchegante e familiar. Com histórias incríveis para contar, conheci o mundo dos livros ainda novo e, no sebo de minha família, além de viagens impressionantes, aprendi a cuidar de cada volume lido.
    Um livro que passa de geração em geração se torna uma forma barata e gostosa de vivenciar esse mundo. Saber que seus filhos irão ler livros que passaram por suas mãos quando criança é tão gratificante quanto ver o sorriso no rosto de alguém que recebe um livro de presente.
    Pegar uma obra e sentir que, mesmo antiga, com um pouco de poeira e as páginas amareladas, aquela história perdura por um longo período de tempo. Histórias escritas em épocas totalmente diferentes e lidas nos dias atuais é a forma de manter aquele período vivo. Por que comprar um livro infantil para seus filhos se você pode ir naquela velha estante, tirar a poeira, embrulhar e presentear a quem você mais ama com um pedaço de sua infância?
    Cuidados com os livros são fundamentais para que ele não se perca com o tempo. Saber onde guardar, não deixar em lugar úmido, limpar sempre que possível e verificar se não há pragas, como traças e cupins, são cuidados básicos para que um exemplar perdure por gerações e mais gerações.
    São maneiras de salvar boas histórias e boas lembranças! Guardar aquele livro que tem um valor sentimental é um jeito de registrar uma parte de sua vida em cada folheada em suas páginas. Ter uma edição especial, limitada ou rara, também é uma forma de poder, quem sabe, repassá-lo a quem gosta com um valor maior do que uma edição normal. É o valor que não se mensura, não se contabiliza. O real valor da literatura.
Giancarlo Rubio é criador do portal Livronauta

Fonte: Jornal O DIA, 02/03/2012,  http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/giancarlo-rubio-p%C3%A1ginas-amarelas-1.414851

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Educação sem enrolação!!!

 
   Hoje, no Brasil, não garantimos o direito de todos os jovens à aprendizagem. O movimento Todos Pela Educação, que monitora o desenvolvimento do ensino, divulgou que quase 4 milhões de estudantes, de 4 a 17 anos, estão fora da escola. Para agravar esta realidade, pesquisa do Datafolha indica a escolaridade como principal fator de distinção das classes sociais, mais do que a posse de bens de consumo e a renda.
   Somos submetidos à síndrome de que os problemas do ensino só se resolvem com reformas e novas leis de diretrizes para a educação. A legislação é modificada a cada 10 anos, mas a escola e sua infraestrutura de apoio não se alteram. É a panaceia pedagógica que atinge a ridícula e onerosa pantomima educacional, como o projeto Um Computador por Aluno, do governo Lula, praticamente abandonado. O desenho do projeto subestimou as dificuldades de apropriação da tecnologia pelos professores em comunidades carentes.
   Os jovens abandonam os estudos, pois a escola é vista como desinteressante, sem conexão com o mundo real e o mercado de trabalho. Há um esforço significativo por parte das famílias para que as crianças se mantenham estudando, mas a péssima qualidade da escola é que impede, através da repetência e do êxodo, a universalização da educação fundamental.
   Os professores não têm a profissão socialmente valorizada, sobrevivem com salários ridículos e sistema de carreira desorganizado. O magistério conta também com professores leigos, que ultrapassa a mais de 250 mil, vítimas da má formação no Ensino Fundamental, o que leva a população escolar da 1ª série ao baixo rendimento e à repetência. É preocupante quando planejadores educacionais adotam medidas baseando-se em estatísticas de escala nacional, sem o cuidado de verificar que muitas são tendenciosas e afetadas por dados obtidos em áreas rurais e pobres. Enfim, precisamos de propostas pedagógicas concretas, sem enrolação.
Carlos Alberto Rabaça, Sociólogo e Professor 

Fonte: Jornal O DIA, de 28/02/12,   http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/giancarlo-rubio-p%C3%A1ginas-amarelas-1.414851