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terça-feira, 19 de junho de 2012

Catadora de lixo passa em Vestibular

"Obrigado Deus por esse presente, pela luta e por mais essa conquista". Essas foram as palavras escritas pela catadora de lixo Ercília Stanciany, de 41 anos, que foi aprovada no último vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para o curso de Artes Plásticas. Apesar de ter interrompido os estudos na infância após terminar a 4ª série do ensino fundamental, depois de adulta, ela continuou a estudar pelos livros que encontrava no lixo.
A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Meu pai dizia que eu nunca seria nada"
Ercília Stanciany, catadora de lixo aprovada na Ufes
Ela explicou que o pai a obrigou a parar de ir à escola quando criança para ajudá-lo na marcenaria que trabalhava. "Meu pai falava que de forma alguma eu iria estudar e ainda dizia que eu nunca seria nada na vida", disse.
Livros no lixoNo lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.

Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.
"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

terça-feira, 5 de junho de 2012

05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente


Por Samuel Ferreira Damaciano
Acredito que hoje as vossas caixas de e-mail receberão inúmeras mensagens sobre o assunto. São aquelas mensagens que nos dão um roteiro certeiro de como resolver todos os problemas do mundo, ou aquelas que de tamanha profundidade e conteúdo moral, todos os meses ressurgem em sua caixa sem que você saiba quem foi o amigo que lhe enviou da ultima vez.

Elas estarão dizendo que devemos preservar a natureza, reciclar o lixo, ter consumo consciente da água e da eletricidade entre outras incitações positivas, todas cheias de palavras que sem reflexão, embasamento e atitudes não passarão de clichês: sustentabilidade, preservação, conservação, “bioalgumacoisa”, “ecoalgumacoisa” ,”salvaralgumacoisa“ e ”salvaralgúem” , por aí vai...

Não estou aqui colocando-as em patamar menor, tratando com descaso, muito pelo contrário, são mensagens importantes e que ecoam de maneira diferente em cada um; eu mesmo sou um frequentador assíduo desse vocabulário,pois insisto comigo mesmo para que da teoria migre para a prática de cada uma delas ou de uma que seja ao menos.

Eu estou aqui pensando que tipo de mensagem gostaria de receber hoje, pensei então em algumas coisas que me aconteceram essa semana e que me tomaram bom tempo de reflexão.

Lembrei basicamente de 3 fatos:

(1) uma matéria de telejornal onde uma entrevistada disse ter comprado 8 pares de sapato no mês de maio;

(2) uma discussão que não se sabe onde começou nem como terminou, mas que no final tudo ficou esclarecido;

(3) uma matéria que assisti hoje pela manha sobre o caso de pessoas (comunidades Kilombola, ambientalistas, trabalhadores rurais entre outros) que vivem sob escolta policial por sofrerem ameaças de morte por disputa de terras ou por lutarem por causas idealistas.

Então neste dia estou mandando para o Matheus, um e-mail sobre meio ambiente, com a seguinte mensagem:

Matheus,
Lí este e-mail e lembrei de você:
No dia do meio ambiente faça assim:

1.       Não compre 8 pares de sapatos no período de 30 dias para você nem para seus filhos nem para sua esposa ou namorada. Mesmo que você e ela trabalhem e tenham dinheiro suficiente para comprar a fábrica de sapatos não aceite isso como algo normal. Caso sapatos seja algo já superado, utilize estas orientações para qualquer outro item que tenha grande durabilidade e não precise ser renovado semanalmente, mensalmente, dias de pagamento, diante de uma promoção ou queima de estoque. Obs.: para estes casos, onde se lê SAPATOS, substitua por um desses itens: CARRO, CELULAR, TV DE PLASMA, RELÓGIO.

2.       Esforce-se para esclarecer algum mau entendido ou ruído de comunicação.
Isso tem a ver com a sua consciência, valores e ética, pois  se você age bem intencionado, com honestidade, então pode defender uma posição onde ocorreu mal entendido e um problema de comunicação que possa ter gerado desconforto, melindre, “bate-boca”. Se as outras partes estiverem dispostas a resolverem o problema com maturidade tudo vai acabar bem, caso não seja assim, faça a sua parte e volte para casa com a consciência tranquila; mesmo que outros não creiam na sua honestidade, inocência ou em uma palavra que foi mal aplicada ou mal interpretada; você sabe disso e pode sempre contar a versão verdadeira dos fatos. Como diz um amigo meu: “nada paga uma consciência tranquila”. Também, se esforce para que as pessoas vejam quem você é de verdade; precisamos no dia-a-dia viver vários personagens, pois cada ambiente exige que tenhamos determinado comportamento e postura, mas é importante manter nossa autenticidade;
 se você é do bem vai levar isso pra onde for e para os que agem mal intencionados, arquem com as consequências.

3.       Em último, não aceite a barbárie.
Não reproduza discursos que defendem métodos violentos de resolverem problemas. São discursos bárbaros, que ajudam a proliferar a violência e manter o estado de caos. Temos, cada um de nós, maneiras diferentes de externar diferentes aspectos da violência. Preconceitos, egoísmo, indiferença, apatia são exemplos dentre os milhares. Poucos recusam reagir com agressividade, pois tratar de maneira violenta é uma forma de afastar os problemas da gente. É como dar uma paulada num vira-lata esfomeado. Tenha sempre o AMOR como a melhor saída. O AMOR educa através dos EXEMPLOS. O “Chico” disse e eu concordo com ele, que nossa vida é como um livro, cada dia uma página em branco que iremos escrever com a tinta das nossas escolhas e atitudes; cada gesto, cada palavra, cada afirmação é uma tinta perene neste livro. Diante da barbárie proteste deixe claro que você se posiciona contra, não deixe dúvidas;  as pessoas que mais admiramos são aqueles que tem coragem de defenderem seus pontos de vista sem medo do que outros pensam. É necessário mais coragem para manifestar o sentimento AMOR do que coragem para ser violento. Ser violento é fácil e a longo prazo você terá sérios prejuízos. O AMOR é o melhor investimento que fazemos no futuro nosso e dos outros.

Matheus,
Claro que são muitas as mensagens melhores do que esta, só quero que saiba no que acredito, que se não vencermos a nós mesmos nada adianta tentar salvar o mundo.
Neste dia 05, dia Mundial do Meio Ambiente, o Meio Ambiente que eu e você, os únicos que lerão estas palavras, devemos salvar primeiro é o nosso Meio Ambiente “Interior”.


***
(O Matheus a que se refere o texto acima é o personagem fictício de uma aventura pelo mundo da ciência, ecologia, meio-ambiente e pelo universo infanto-juvenil cujas aventuras podem ser vistas no blog: "Matheus pra onde vai o lixo?" )

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cheche de Marmanjo

Por Rosely Sayão
Se há um tipo de estabelecimento que cresce nas cidades é o depósito. Há depósitos para aquilo que não queremos mais por perto, que não usamos mais. Poderiam ser chamados de depósitos de lixo, mas nem sempre é lixo o que eles guardam.

O mundo do consumo fez crescer vertiginosamente o descarte: descartamos o aparelho de telefone celular quase novo porque saiu um outro com novíssimas funções.

Descartamos o computador recente e em pleno funcionamento porque saiu um modelo menor e mais leve; descartamos o sofá da sala que já tem o nosso cheiro e se adaptou ao formato de nosso corpo porque a linha em uso agora é de outro estilo; e o aparelho de TV porque já está ultrapassado etc.

Queremos descartar para poder consumir mais. E isso transformou-se em um problema, já que o que não usamos mais atrapalha nossa vida, dá uma aparência a ela que rejeitamos, recusamos.

Há um outro tipo de estabelecimento que também cresce nas cidades, não tanto em quantidade, e sim na ampliação dos serviços que oferece: a escola.

Até poucos anos atrás, a escola era o lugar para onde os mais novos eram encaminhados com o objetivo de estudar e/ou aprender a conviver com outros.

Hoje, a escola transformou-se em um local que serve para muitas outras coisas.
Ela serve, por exemplo, para abrigar crianças (falo de crianças integrantes de famílias de classe média para cima) cujos pais trabalham tanto que não podem ir buscar seus filhos no horário que as aulas terminam. Dessa maneira, a escola permanece aberta até altas horas, até que os pais sejam liberados de seus afazeres e possam ir buscar seus rebentos.

Há também as escolas que tentam satisfazer necessidades das famílias de seus alunos: montam pequenas lojas de conveniência e até academias de ginástica para que os pais aproveitem e já façam por lá mesmo o que querem e precisam enquanto os filhos ficam por lá, seguros.

Ah! E não podemos esquecer dos restaurantes escolares: para que os pais possam ter a oportunidade de fazer as refeições com seus filhos, por que não oferecer lá mesmo, dentro da escola, um local adequado para tanto?

E o que dizer da indústria das chamadas "atividades extracurriculares"? Elas servem mesmo é para que os mais novos tenham mais o que fazer no espaço escolar.

Pois agora surgiu uma nova moda: o ensino médio em tempo integral. Os adolescentes podem passar o dia todo na escola, pagando mais caro por isso, é lógico.

Além do período das aulas regulares, eles têm todo o outro período para dormir, descansar, fazer seus deveres "de casa", realizar projetos diferenciados, fazer as refeições do dia etc. E etc. E tudo com a supervisão direta de professores, tutores, orientadores, coordenadores de projetos.

A vida deles vai se resumir à escola. Quando vão namorar? Quando vão ficar horas no ócio, trancados no quarto, só tentando entender seu novo corpo, esse mundo, seus pensamentos?

Como disse um desses jovens, ele não queria frequentar o que ele chama -de modo brilhante- de "creche de marmanjo". Ele quer ter o direito de ter a sua própria vida, mas o problema é que seus pais acharam isso uma excelente ideia. E ele já está frequentando a tal creche.

A escola privada está cada vez mais parecida com os depósitos de nossos descartes, não é verdade?

Retirado de:

quarta-feira, 7 de março de 2012

Jovem com Síndrome de Down passa em universidade federal de GO!!

Kallil Assis conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal de Goiás. A faculdade de Geografia fica em Jataí, no interior do estado.

Fábio Castro Jataí, GO

                                                                                     

   Kallil chegou com a irmã para o primeiro dia de aula e no caminho já encontrou amigos. Em sala, da primeira fila, acompanhou a apresentação dos professores do curso de Geografia.
    A faixa de parabéns ainda está na porta da casa da família desde o dia em que saiu a lista dos aprovados da Universidade Federal de Goiás. Teve até festa para comemorar essa conquista. “Valeu a pena o apoio que a gente deu para ele. É uma superação, porque muitas pessoas ainda têm preconceito com a Síndrome de Down”, diz a irmã do garoto.
   Na infância, Kallil estudou apenas dois anos em uma escola especial. Depois os pais decidiram que ele iria frequentar um colégio que oferece ensino regular. Lá, Kallil aprendeu não só a ler e a escrever. Foi frequentando a escola e se relacionando com outros estudantes, que ele decidiu dar um passo importante na vida de muita gente: ir para a universidade.
    “Isso é um exemplo para a sociedade em geral começar a observar essas pessoas de uma forma diferente. O mercado de trabalho tem que pensar nessas pessoas como pessoas ativas, que elas conseguem ter sua condição de sobrevivência”, acredita Márcio Freitas, ex-professor de Kallil.
    O maior orgulho da família é que ele concorreu de igual para igual, não teve uma correção diferenciada, um procedimento comum para candidatos com necessidade especial.
    A família torce para que outros portadores da Síndrome de Down sigam o mesmo caminho. “A gente gostaria que não a imagem do Kallil, mas a situação servisse para contribuir com os outros pais que vivem a mesma situação. Para que eles possam acreditar em seus filhos, investir em seus filhos”, diz Eunice Tavares, mãe de Kallil.

Fonte:http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2012/02/jovem-com-sindrome-de-down-passa-em-universidade-federal-de-go.html

Com livros achados no lixo, catadora passa em vestibular no ES!!

    "Obrigado Deus por esse presente, pela luta e por mais essa conquista". Essas foram as palavras escritas pela catadora de lixo Ercília Stanciany, de 41 anos, que foi aprovada no último vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para o curso de Artes Plásticas. Apesar de ter interrompido os estudos na infância após terminar a 4ª série do ensino fundamental, depois de adulta, ela continuou a estudar pelos livros que encontrava no lixo.
    A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
    "Meu pai dizia que eu nunca seria nada" - Ercília Stanciany, catadora de lixo aprovada na Ufes.
    Ela explicou que o pai a obrigou a parar de ir à escola quando criança para ajudá-lo na marcenaria que trabalhava. "Meu pai falava que de forma alguma eu iria estudar e ainda dizia que eu nunca seria nada na vida", disse.
Livros no lixo
   No lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.
   Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.
"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
 
Fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/03/com-livros-achados-no-lixo-catadora-passa-em-vestibular-no-es.html