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domingo, 28 de outubro de 2012

Obsolência do ensino!


  
   Imaginemos que nosso cérebro é uma grande sala cheia de cabides. Se eu recebo uma peça, deixo-a dependurada num deles. A roupa representa o conhecimento novo com o qual tenho contato, e o cabide, o conhecimento prévio que tenho em meu cérebro.


   Daí decorre teoria de David Ausubel. Podemos ter uma aprendizagem mecânica e outra significativa. A diferença é simples: na mecânica, o que é ensinado pode não ter informações prévias na estrutura cognitiva dos alunos; na significativa, o que é passado tem relação com os conhecimentos já adquiridos — vale dizer que há cabides para dependurar o conteúdo novo.



  Tanto o aprendizado mecânico quanto o significativo podem ser adquiridos de dois modos: por recepção ou descoberta. No mecânico por recepção, os alunos recebem conhecimentos e não conseguem relacioná-los com a estrutura cognitiva que já têm; por descoberta, o aluno chega ao conhecimento por si só, mas não consegue relacioná-lo com os anteriormente adquiridos.



  Na aprendizagem significativa por recepção, os alunos recebem os conhecimentos e conseguem relacioná-los com a estrutura cognitiva que já possuem; na significativa por descoberta, os alunos chegam ao conhecimento por si só e conseguem fazer relacionamentos com as estruturas já existentes.



   Portanto, segundo esta teoria, para um aluno aprender é necessário buscar ao máximo esta relação entre o conhecimento novo e o já existente, ou seja: entre a roupa e o cabide. Este é o principal papel do professor e as várias linguagens usadas para obter este relacionamento.



 Para se identificar se um ensino está ultrapassado, basta verificar se há no desenvolvimento das aulas uma preocupação com os conhecimentos prévios. Se este fatofor considerado irrelevante pelo professor e pela escola, os alunos terão grande dificuldade para aprender por falta de significação por recepção ou por descoberta.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor
Fonte: http://www.dirigida.com.br  (Sábado,27/10/2012)

Final do XXIV Festival da Canção das Escolas Municipais – FECEM 2012


     Novos talentos estão sendo descobertos a cada Festival da Canção. No dia 24 de setembro foi realizado no Teatro Carlos Gomes, o XXIV Festival da Canção das Escolas Municipais. As dez Coordenadorias Regionais de Educação foram representadas, por meio das canções já eleitas nas etapas regionais.

   Alunos das dez Coordenadorias Regionais de Educação estiveram presentes, cantaram e encantaram a plateia com diferentes talentos.

 


   Durante a tarde ao som de muita música romântica, samba e forró centenas de alunos da Rede Pública Municipal de  Ensino participaram com muita animação.


  Este ano os grandes intérpretes foram homenageados, pois muitas canções que hoje conhecemos chegaram até nós através de grandes interpretações.

  Embalados por diferentes estilos a plateia participou durante todo o Festival. Enquanto todos aguardavam o resultado dos destaques do FECEM 2012, a Banda Gafieira Carioca fez mais uma vez o teatro se levantar com um repertório bastante animado e dançante.

 
     
     Estiveram presentes ao XXIV FECEM, autoridades da Secretaria Municipal de Educação como a Subsecretária de Ensino Profª Helena Bomeny, Assessoras e Representantes da Coordenadoria de Educação.

                 Subsecretária de Educação, Helena Bomeny e alunos do Núcleo de Arte Grécia –
           4ª CRE Karine Bonfim e Rodrigo Oliveira apresentadores do XXIV Festival da Canção
                                                      das Escolas Municipais

     O público ao final vibrou com a divulgação dos resultados:

Comunicação com o público - Ricardo Conceição Figueira - Escola Municipal Rugendas - 5ª CRE
Instrumentalista melódico - Isac de Oliveira Mesquita - Escola Municipal Liberdade - 10ª CRE
Instrumentalista de percursão - Matheus Matos - Escola Municipal Albert Einsten - 7ª CRE
Intérprete feminino - Divanisse Silva Soares Freitas - Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles - 1ª CRE
Intérprete masculino - Lucas da Silva de Souza - Escola Municipal Nações Unidas - 8ª CRE
Letra - Teus olhos na estrada - Ronny de Souza Pereira - Escola Municipal Liberdade - 10ª CRE
Arranjo - Escola Municipal Barão de Santa Margarida - 9ª CRE
Canção - Flor de Madureira - Matheus Viana da Silva - Escola Municipal Rugendas - 5ª CRE

                                           Torcida mais animada Escola Municipal Andréa Fontes Peixoto 

     Todo o sucesso desse Projeto se dá ao trabalho em equipe entre as Unidades Escolares, Coordenadorias Regionais de Educação e Coordenadoria de Educação – Extensividade.

     Este projeto artístico-cultural é promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SME) com o objetivo de despertar o interesse dos alunos pela música, passa por várias etapas antes de chegar à final. Após a SME enviar o regulamento do festival, as escolas inscrevem suas canções – no máximo duas – para concorrerem na etapa organizada pelas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). Cada CRE realiza um minifestival, na etapa regional em um espaço cultural de sua região e seleciona, por meio de um corpo de jurados, a música que a representará na Mostra Final – neste ano realizada no Teatro Carlos Gomes, produzida pelo Setor de Extensividade da SME.

     Com o objetivo de valorizar os novos talentos, por meio da Coordenadoria de Educação – Extensividade, foi produzido um DVD com os vídeos clipes das dez músicas vencedoras da Etapa Regional. Este DVD ilustrou o XXIV Festival da Canção das Escolas Municipais – FECEM 2012.

Representante do Rioeduca na E/SUBE/CED-Extensividade: Krisna Santos
Facebook: Krisna Santos
Twitter: @Krisnaleone
Telefones: 2976-2336 ou 2976-2291

TRI-CAMPEÕES NO XXIV FECEM DA 6ª CRE

     Nosso grito ficou preso na garganta. No dia do evento não foi possível gritarmos: -Tri-Campeões!!!!  Mas o fato é que, após a realização do XXIV FECEM, por motivos que não cabe aqui ressaltar, foi dado o 1º lugar à nossa Escola.  É isso aí!!!! Estaremos na final mais uma vez defendendo a canção "Tantos Planos" de autoria das alunas Ana Gabriele e Vitória, ambas da 1801.  Carlos Gomes que nos aguarde!!! Guerreiros da Escolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Kátia Rodrigues da Silva
Profª  Ed. Musical

domingo, 21 de outubro de 2012

Fúria consumista


   O consumismo neoliberal gera uma proeza: a pessoa passa à condição de objeto, e o objeto — a mercadoria — ocupa a condição de sujeito. O consumo já não édeterminado pela necessidade. Depende, sobretudo, do sonho do consumidor de alcançar o status do produto.

   Isso mesmo: a mercadoria possui grife, status, agrega valor a quem a porta. Ao obtê-la, o consumidor se deixa possuir por ela. O valor que ela contém, criado pela mídia publicitária e pela moda, emana e impregna o consumidor. Em suma, o sujeito passa a ser tratado como objeto. Duplo objeto: por se sujeitar à mercadoria e por ser rechaçado por seus pares. Porque no sistema consumista só é aceito quem transita no universo do luxo e do supérfluo.

   Esse processo de desumanização estimula a obsolescência das mercadorias. Agora se produz para atender, não a uma necessidade, mas a um sonho. O produto adquirido hoje — carro, computador, iPad — estará obsoleto amanhã. Essa inversão do sujeito humano tornado objeto e do objeto transformado em ‘humano’ ou mesmo ‘divino’. Isso se dissemina através da publicidade, que não faz distinção de classes. O apelo é igual para todos.

   A diferença é que o rico tem fácil acesso aos novos ícones do consumismo. O pobre absorve os ícones e reconhece o quanto ele é socialmente descartado e descartável por não se revestir de objetos que imprimem valor às pessoas. Daí a frustração e a revolta.

   A frustração pode ser compensada pela inveja. A revolta leva ao crime — “Não sou como eles, mas terei, a ferro e fogo, o que eles têm”.

   Haverá limites à obsolescência? Tudo indica que não. A indústria há tempos aprendeu que o consumidor é irracional, não se move por princípios, e sim por efeitos. É a emoção que o faz aproximar do balcão.
Frei Betto

Fonte: http://odia.ig.com.br/portal/opiniao  (Domingo, 21/10/12)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Valores do Professor, valores da inclusão!



Ao citar valores, podemos estar dizendo tantas coisas e não estar passando absolutamente nada. O que pode ser valor para um talvez não seja para outro. Por isso, a Educação para alguns é tão estimada e, para outros, nem tanto. Para alguns, ela é até dispensável; para outros, ela é permanentemente essencial.
Então, como podemos garantir o valor da Educação que acreditamos? Podemos experimentar dois caminhos para descobrir: um ligado a nós e outro ligado ao próximo. No caminho ligado a nós, é possível dizer que há valor nas coisas que fazemos de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. E, no caminho ligado a outrem, o que reputamos como valor nos fará desejar para as pessoas o que desejamos para nós. Colocar-nos-á no mesmo espaço de igualdade e de afetos. São esses valores que constroem o ambiente educativo da escola e o transformam em espaço inclusivo.

Nossa prática  de ensino expressa seu valor mais evidente quando acreditamos na Educação e nos tornamos melhores mestres. O professor que valoriza seu ofício estuda. Forma-se, prepara-se, educa e educa-se. Sua capacitação, pesquisa e trabalho tornam-se o seu maior exemplo e inspiração, principalmente no que tange aos desafios que são impostos no ensino de alunos com necessidades educacionais especiais.

   Decerto, quando valorizamos a inclusão escolar, o educando jamais se torna um ser solitário compondo uma música que só ele ouve, pois ele faz parte de uma orquestra, cujo maestro é o seu desejo. É para este que ele sempre olha. E o professor? O professor é o músico que dá vida ao ritmo que sustenta a música até o final. A inclusão escolar começa em sua alma, contagia seus sonhos e amplia seus ideais.
Eugênio Cunha, Professor e Jornalista


terça-feira, 19 de junho de 2012

Escola Guerreira - 2º Lugar no FECEM 2012


Participamos mais uma vez do XXIV FECEM – 6ª CRE com garbo e elegância.  Trabalhamos com seriedade e dedicação, a fim de conquistar o tri-campeonato, mas conscientes de que já vale à pena estar competindo. 
Ansiedade e nervosismo eram constantes nos corações de quem participava pela primeira vez. Foi engraçado ver o contingente superlotando os banheiros!! Rsrsrsrsrsrs  Contamos com Lucas Muriel no Violão Elétrico e Jeziel no Cajon; gente pequena, mas com um talento gigantesco. Que dizer então do Gabriel Nascimento (Troféu Revelação) tocando sua Clarineta encantada? Nossas solistas principais (Gabrielle, Daniele, Amanda e Vitória) defenderam com garra nossas canções, compostas por Ana Gabrielle, Ana Carolina, Gracielle e Vitória Silva.  O nosso Backing Vocal deixou sua marca registrada com vozes abençoadas. Jorge Nagipe e Evelyn, nossos bailarinos, surpreenderam com uma coreografia linda e romântica, idealizada pela Profª Sheila, adornando ainda mais nossa apresentação.
 Agradeço de coração ao Professor da E.M. Coelho Neto, que foi super solidário quando percebemos um problema  em nossa guitarra, e gentilmente cedeu seu Violão Elétrico para nossa apresentação. Agradeço também sua parceria em nosso momento “fama” cantando um grande sucesso de Tim Maia (Gostava Tanto), onde me acompanhou magistralmente no banjo junto do amigo Pulinho no Violão.


TANTOS PLANOS
ME FAÇA FELIZ
SOLOS: Daniela Marques e Gabriele Terto (1701)
SOLOS: Amanda Silva (1901) e Vitória Leôncio (1802)
INSTRUMENTAL:  Cajon: Jeziel  Santos (1703)
                                Violão Elétrico: Lucas Muriel (1703)
                                Clarineta: Gabriel Nascimento (1801)
                                Teclados: Profª Kátia Rodrigues
INSTRUMENTAL:  Cajon: Jeziel  Santos (1703)
                                Violão Elétrico: Lucas Muriel (1703)
                                Clarineta: Gabriel Nascimento (1801)
                                Teclados: Profª Kátia Rodrigues
BACKING VOCALS:   Amanda Silva       (1901)
                                     Desirre Freitas       (1701)
                                     Joyce Kelly             (1701)
                                     Laura Marques       (1601)
                                     Mirian Messias        (1901)
                                     Natalie Marques      (1601)
                                     Vitória Leôncio        (1802)
                                     Weronica Caronezi  (1703)
BACKING VOCALS:   Daniela Marques      (1701)
                                     Gabriela Terto           (1701)
                                     Joyce Kelly                (1701)
                                     Laura Marques          (1601)
                                     Natalie Marques        (1601)
                                     Thalia Aparecida       (1701)
                                     Tifany Monte             (1802)
                            Weronica Caronezi  (1703)


Nossa escola deu um show na animação e consideração pelas outras escolas participantes. Após o resultado, ficamos para ouvir e prestigiar a Escola campeã deste ano (Antenor Nascentes) numa demonstração de elegância e respeito com nossa concorrente.  Parabéns!!!!!
É... não deu pra nós, embora sabemos perfeitamente que fizemos bonito. Cantamos, encantamos, hipnotizamos a galera com a nossa participação sempre  contagiante. Fazemos “Tantos Planos”, mas nem tudo acontece como desejamos. Ficamos em 2º Lugar, com muita honra e alegria.  Temos o sangue de guerreiros, pois sabemos que numa guerra podemos ganhar ou perder.  Quando ganhamos, é gostoso saborear a vitória. Quando perdemos, caminhamos de cabeça erguida, pois demos o nosso melhor.  A derrota não nos aflige, mas nos motiva a perseverar em nosso objetivo, pois somos sabedores de nossa relevância.
Agradeço a Deus pela árdua missão de ser Professora, pois estar com meus talentosos alunos – que cantam, tocam e compõem -  é muito prazeroso e edificante.  Dentre as inúmeras coisas que Me faz feliz”, uma delas é trabalhar na E. M. Andrea Fontes Peixoto, onde há uma Equipe que trabalha afinada, afinal somos: “Guerreiros da Escolaaaaaaaaaaaaaaaa”!!!!
Valeu meus gostosos!!! Beijos em seus corações e ano que vem tem maissss!!!
                                                Kátia Rodrigues da Silva

Catadora de lixo passa em Vestibular

"Obrigado Deus por esse presente, pela luta e por mais essa conquista". Essas foram as palavras escritas pela catadora de lixo Ercília Stanciany, de 41 anos, que foi aprovada no último vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para o curso de Artes Plásticas. Apesar de ter interrompido os estudos na infância após terminar a 4ª série do ensino fundamental, depois de adulta, ela continuou a estudar pelos livros que encontrava no lixo.
A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Meu pai dizia que eu nunca seria nada"
Ercília Stanciany, catadora de lixo aprovada na Ufes
Ela explicou que o pai a obrigou a parar de ir à escola quando criança para ajudá-lo na marcenaria que trabalhava. "Meu pai falava que de forma alguma eu iria estudar e ainda dizia que eu nunca seria nada na vida", disse.
Livros no lixoNo lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.

Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.
"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)"Quando fui assinar minha matrícula eu tremia", disse Ercília. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

terça-feira, 5 de junho de 2012

05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente


Por Samuel Ferreira Damaciano
Acredito que hoje as vossas caixas de e-mail receberão inúmeras mensagens sobre o assunto. São aquelas mensagens que nos dão um roteiro certeiro de como resolver todos os problemas do mundo, ou aquelas que de tamanha profundidade e conteúdo moral, todos os meses ressurgem em sua caixa sem que você saiba quem foi o amigo que lhe enviou da ultima vez.

Elas estarão dizendo que devemos preservar a natureza, reciclar o lixo, ter consumo consciente da água e da eletricidade entre outras incitações positivas, todas cheias de palavras que sem reflexão, embasamento e atitudes não passarão de clichês: sustentabilidade, preservação, conservação, “bioalgumacoisa”, “ecoalgumacoisa” ,”salvaralgumacoisa“ e ”salvaralgúem” , por aí vai...

Não estou aqui colocando-as em patamar menor, tratando com descaso, muito pelo contrário, são mensagens importantes e que ecoam de maneira diferente em cada um; eu mesmo sou um frequentador assíduo desse vocabulário,pois insisto comigo mesmo para que da teoria migre para a prática de cada uma delas ou de uma que seja ao menos.

Eu estou aqui pensando que tipo de mensagem gostaria de receber hoje, pensei então em algumas coisas que me aconteceram essa semana e que me tomaram bom tempo de reflexão.

Lembrei basicamente de 3 fatos:

(1) uma matéria de telejornal onde uma entrevistada disse ter comprado 8 pares de sapato no mês de maio;

(2) uma discussão que não se sabe onde começou nem como terminou, mas que no final tudo ficou esclarecido;

(3) uma matéria que assisti hoje pela manha sobre o caso de pessoas (comunidades Kilombola, ambientalistas, trabalhadores rurais entre outros) que vivem sob escolta policial por sofrerem ameaças de morte por disputa de terras ou por lutarem por causas idealistas.

Então neste dia estou mandando para o Matheus, um e-mail sobre meio ambiente, com a seguinte mensagem:

Matheus,
Lí este e-mail e lembrei de você:
No dia do meio ambiente faça assim:

1.       Não compre 8 pares de sapatos no período de 30 dias para você nem para seus filhos nem para sua esposa ou namorada. Mesmo que você e ela trabalhem e tenham dinheiro suficiente para comprar a fábrica de sapatos não aceite isso como algo normal. Caso sapatos seja algo já superado, utilize estas orientações para qualquer outro item que tenha grande durabilidade e não precise ser renovado semanalmente, mensalmente, dias de pagamento, diante de uma promoção ou queima de estoque. Obs.: para estes casos, onde se lê SAPATOS, substitua por um desses itens: CARRO, CELULAR, TV DE PLASMA, RELÓGIO.

2.       Esforce-se para esclarecer algum mau entendido ou ruído de comunicação.
Isso tem a ver com a sua consciência, valores e ética, pois  se você age bem intencionado, com honestidade, então pode defender uma posição onde ocorreu mal entendido e um problema de comunicação que possa ter gerado desconforto, melindre, “bate-boca”. Se as outras partes estiverem dispostas a resolverem o problema com maturidade tudo vai acabar bem, caso não seja assim, faça a sua parte e volte para casa com a consciência tranquila; mesmo que outros não creiam na sua honestidade, inocência ou em uma palavra que foi mal aplicada ou mal interpretada; você sabe disso e pode sempre contar a versão verdadeira dos fatos. Como diz um amigo meu: “nada paga uma consciência tranquila”. Também, se esforce para que as pessoas vejam quem você é de verdade; precisamos no dia-a-dia viver vários personagens, pois cada ambiente exige que tenhamos determinado comportamento e postura, mas é importante manter nossa autenticidade;
 se você é do bem vai levar isso pra onde for e para os que agem mal intencionados, arquem com as consequências.

3.       Em último, não aceite a barbárie.
Não reproduza discursos que defendem métodos violentos de resolverem problemas. São discursos bárbaros, que ajudam a proliferar a violência e manter o estado de caos. Temos, cada um de nós, maneiras diferentes de externar diferentes aspectos da violência. Preconceitos, egoísmo, indiferença, apatia são exemplos dentre os milhares. Poucos recusam reagir com agressividade, pois tratar de maneira violenta é uma forma de afastar os problemas da gente. É como dar uma paulada num vira-lata esfomeado. Tenha sempre o AMOR como a melhor saída. O AMOR educa através dos EXEMPLOS. O “Chico” disse e eu concordo com ele, que nossa vida é como um livro, cada dia uma página em branco que iremos escrever com a tinta das nossas escolhas e atitudes; cada gesto, cada palavra, cada afirmação é uma tinta perene neste livro. Diante da barbárie proteste deixe claro que você se posiciona contra, não deixe dúvidas;  as pessoas que mais admiramos são aqueles que tem coragem de defenderem seus pontos de vista sem medo do que outros pensam. É necessário mais coragem para manifestar o sentimento AMOR do que coragem para ser violento. Ser violento é fácil e a longo prazo você terá sérios prejuízos. O AMOR é o melhor investimento que fazemos no futuro nosso e dos outros.

Matheus,
Claro que são muitas as mensagens melhores do que esta, só quero que saiba no que acredito, que se não vencermos a nós mesmos nada adianta tentar salvar o mundo.
Neste dia 05, dia Mundial do Meio Ambiente, o Meio Ambiente que eu e você, os únicos que lerão estas palavras, devemos salvar primeiro é o nosso Meio Ambiente “Interior”.


***
(O Matheus a que se refere o texto acima é o personagem fictício de uma aventura pelo mundo da ciência, ecologia, meio-ambiente e pelo universo infanto-juvenil cujas aventuras podem ser vistas no blog: "Matheus pra onde vai o lixo?" )

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cheche de Marmanjo

Por Rosely Sayão
Se há um tipo de estabelecimento que cresce nas cidades é o depósito. Há depósitos para aquilo que não queremos mais por perto, que não usamos mais. Poderiam ser chamados de depósitos de lixo, mas nem sempre é lixo o que eles guardam.

O mundo do consumo fez crescer vertiginosamente o descarte: descartamos o aparelho de telefone celular quase novo porque saiu um outro com novíssimas funções.

Descartamos o computador recente e em pleno funcionamento porque saiu um modelo menor e mais leve; descartamos o sofá da sala que já tem o nosso cheiro e se adaptou ao formato de nosso corpo porque a linha em uso agora é de outro estilo; e o aparelho de TV porque já está ultrapassado etc.

Queremos descartar para poder consumir mais. E isso transformou-se em um problema, já que o que não usamos mais atrapalha nossa vida, dá uma aparência a ela que rejeitamos, recusamos.

Há um outro tipo de estabelecimento que também cresce nas cidades, não tanto em quantidade, e sim na ampliação dos serviços que oferece: a escola.

Até poucos anos atrás, a escola era o lugar para onde os mais novos eram encaminhados com o objetivo de estudar e/ou aprender a conviver com outros.

Hoje, a escola transformou-se em um local que serve para muitas outras coisas.
Ela serve, por exemplo, para abrigar crianças (falo de crianças integrantes de famílias de classe média para cima) cujos pais trabalham tanto que não podem ir buscar seus filhos no horário que as aulas terminam. Dessa maneira, a escola permanece aberta até altas horas, até que os pais sejam liberados de seus afazeres e possam ir buscar seus rebentos.

Há também as escolas que tentam satisfazer necessidades das famílias de seus alunos: montam pequenas lojas de conveniência e até academias de ginástica para que os pais aproveitem e já façam por lá mesmo o que querem e precisam enquanto os filhos ficam por lá, seguros.

Ah! E não podemos esquecer dos restaurantes escolares: para que os pais possam ter a oportunidade de fazer as refeições com seus filhos, por que não oferecer lá mesmo, dentro da escola, um local adequado para tanto?

E o que dizer da indústria das chamadas "atividades extracurriculares"? Elas servem mesmo é para que os mais novos tenham mais o que fazer no espaço escolar.

Pois agora surgiu uma nova moda: o ensino médio em tempo integral. Os adolescentes podem passar o dia todo na escola, pagando mais caro por isso, é lógico.

Além do período das aulas regulares, eles têm todo o outro período para dormir, descansar, fazer seus deveres "de casa", realizar projetos diferenciados, fazer as refeições do dia etc. E etc. E tudo com a supervisão direta de professores, tutores, orientadores, coordenadores de projetos.

A vida deles vai se resumir à escola. Quando vão namorar? Quando vão ficar horas no ócio, trancados no quarto, só tentando entender seu novo corpo, esse mundo, seus pensamentos?

Como disse um desses jovens, ele não queria frequentar o que ele chama -de modo brilhante- de "creche de marmanjo". Ele quer ter o direito de ter a sua própria vida, mas o problema é que seus pais acharam isso uma excelente ideia. E ele já está frequentando a tal creche.

A escola privada está cada vez mais parecida com os depósitos de nossos descartes, não é verdade?

Retirado de: